Dados e Indicadores Demográficos e Sociais


Geografia da População

Arthur Magon Whitacher; Sergio Braz Magaldi

CONHECENDO A POPULAÇÃO DE PRESIDENTE PRUDENTE

No Brasil, temos um órgão público que, além de vários outros trabalhos e estudos, produz o Censo Demográfico, a cada dez anos. Esse censo, uma contagem de nossa população, serve de base para que muitos outros trabalhos sejam produzidos e também auxilia, disponibilizando muitas informações, no planejamento de nosso país e também de nosso município. Este órgão se chama Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE.

O último Censo Demográfico foi realizado em 2010 e o próximo está previsto para 2020. Entre estes períodos, o IBGE produz projeções estatísticas que são chamadas de estimativas populacionais.

Em 2010, o Município de Presidente Prudente possuía 207.610 habitantes. Destes, apenas 4.235 residiam na zona rural e 203.375 na zona urbana. Se lembrarmos que nosso município possui um território de 562,794 Km², temos uma densidade demográfica de 368,89 hab./Km².

Estas 207.610 pessoas moravam, principalmente, dentro do perímetro urbano do município. Aproximadamente 98% da população prudentina, 203.375 habitantes, vivia em zona urbana e apenas 4.235 pessoas viviam na zona rural, ou seja, cerca de 2%.

Esta população urbana distribuía-se em 69.612 domicílios, isso quer dizer que a média era de 3,03 moradores por domicílio urbano.

Também observando os dados de 2010, nossa população total estava dividida em 48,1% de população masculina e 51,9% de população feminina. Assim, havia um relativo equilíbrio entre Homens e Mulheres.

A última estimativa populacional, feita em 2016, indicava que teríamos em Presidente Prudente 223.749 habitantes naquele ano. Isso significa que a população prudentina pode ter aumentado, aproximadamente, 7,8% naquele intervalo.

Alguns indicadores escolhidos mostram relativa melhora em condições sociais em Presidente Prudente. O IDH-M, Índice de Desenvolvimento Humano Municipal, melhorou de 0,746 em 2000 para 0,806 em 2014. Outro índice, chamado índice de Gini, indica uma pequena melhora na concentração de renda, pois este número baixou de 0,595 para 0,544, porém, muito longe dos melhores países.

Esse índice, também chamado de Coeficiente de Gini, não é muito fácil de compreender, por isso, nós apresentamos, a seguir, seu significado. O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – IPEA, outro órgão do Governo Federal, explica que:

“O Índice de Gini, criado pelo matemático italiano Conrado Gini, é um instrumento para medir o grau de concentração de renda em determinado grupo. Ele aponta a diferença entre os rendimentos dos mais pobres e dos mais ricos. Numericamente, varia de zero a um (alguns apresentam de zero a cem). O valor zero representa a situação de igualdade, ou seja, todos têm a mesma renda. O valor um (ou cem) está no extremo oposto, isto é, uma só pessoa detém toda a riqueza. Na prática, o Índice de Gini costuma comparar os 20% mais pobres com os 20% mais ricos. No Relatório de Desenvolvimento Humano 2004, elaborado pelo Pnud, o Brasil aparece com Índice de 0,591, quase no final da lista de 127 países. Apenas sete nações apresentam maior concentração de renda.” (http://www.ipea.gov.br/desafios/index.php?option=com_content&id=2048:catid=28&Itemid=23)

No Quadro 1, apresentado a seguir, reproduzimos algumas das informações que comentamos acima e trazemos outras.

Quadro 1. Dados e informações sobre a população do município de Presidente Prudente, SP. (2000/2007/2010/2012/2014/2016).

O padrão demográfico brasileiro está, lentamente, passando por transformações bastante profundas. À exemplo de países chamados de desenvolvidos, nossa população está envelhecendo.

Segundo o IBGE:

”As transformações ocorridas no padrão demográfico brasileiro constituem uma das mais importantes modificações estruturais verificadas na sociedade. Iniciadas, de forma tímida, a partir dos anos 1940, essas mudanças se acentuaram após a década de 1960, com declínio expressivo nos níveis de fecundidade, redução na taxa de crescimento populacional e alterações na pirâmide etária, daí resultando o incremento mais lento do número de crianças e adolescentes paralelamente ao aumento contínuo da população em idade ativa e da população idosa.” (http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/alteracoes_e_impactos/default.shtm)

O padrão demográfico de Presidente Prudente acompanha esse comportamento nacional. Veja na Pirâmide Etária de Presidente Prudente (Figura 1) como a base da pirâmide está se estreitando e as categorias populacionais intermediárias estão aumentando. Ao fundo, em cinza, você pode comparar os dados de 2010 com os dados de 2000.

Figura 1 - Pirâmide Etária da população do município de Presidente Prudente, SP (2010).

Veja, a seguir, no Quadro 2, outras informações sobre a população prudentina e compare-os com o Estado de São Paulo.

Quadro 2 - Presidente Prudente. Condições de vida. Indicadores selecionados (2015/2016).

Para obtenção de maiores informações e dados acesse os sites da Prefeitura Municipal de Presidente Prudente e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

  Referências Bibliográficas

Para maiores informações acesse o site:

IBGE: http://www.ibge.gov.br/home/

IPEA: http://www.ipea.gov.br/portal/

Presidente Prudente: http://cidades.ibge.gov.br/xtras/perfil.php?lang=&codmun=354140&search=sao-paulo|presidente-prudente|infograficos:-informacoes-completas

Presidente Prudente e Estado de São Paulo: http://www.seade.gov.br/


Indicadores Socioespaciais

Everaldo Santos Melazo; João Marcos do Nascimento Cardoso; Sergio Braz Magaldi

Diversidade, Desigualdades, Exclusão e Inclusão Social no Tecido Urbano de Presidente Prudente

Como toda cidade brasileira de médio ou grande porte, Presidente Prudente-SP apresenta grande diversidade, não só no que diz respeito à sua paisagem física e seus elementos constituintes, tais como o seu sítio urbano ou as características do sistema hídrico urbano, mas igualmente, diversidade quanto aos aspectos e feições que resultam do processo de ocupação, consolidação e expansão da chamada “mancha urbana” em diferentes momentos do tempo.

A análise da forma urbana pode ser bastante reveladora dos processos de trabalho e da divisão técnica e social do trabalho que predominam e se combinam numa cidade, assim como das condições de vida e reprodução dos diferentes segmentos sociais e famílias residentes. Expressam os ritmos e intensidades de seu dinamismo econômico e, principalmente, as feições espaciais que revelam em sua base e origem, as assimetrias, “fraturas” e desigualdades sociais de uma cidade.

Por exemplo: a diversidade nas densidades e nas extensões de áreas construídas de habitações, condomínios, loteamentos etc., e as diferenças qualitativas das moradias em cada setor urbano e entre setores urbanos; ou, a diversidade de densidades de habitantes-residentes distribuídos pelo espaço urbano e as assimetrias expressas por números bastante distintos na localização de famílias situadas em faixas de renda muito díspares neste mesmo espaço urbano. Ou, a desigualdade dos níveis de escolaridade e anos de estudo do(a) principal responsável pelo sustento da família entre os diferentes bairros e setores da cidade, entre tantos outros aspectos urbanos dimensionáveis e mapeáveis, indicativos da variedade de situações desiguais.

No Brasil, país conhecido por sua diversidade, mas também por sua grande desigualdade social, econômica, de formação escolar e profissional e de acesso aos serviços públicos e aos bens culturais, as análises sobre exclusão social, associada à ideia de desigualdade socioespacial e de sua permanência histórica na nossa sociedade, têm ganhado relevância nas últimas duas décadas.

Ao observar a cidade de Presidente Prudente sob tais parâmetros e através dos recursos que a Geografia e a Cartografia Geográfica dispõem hoje aos técnicos, analistas, professores, pesquisadores, servidores públicos, agentes do mercado, estudantes e população em geral, percebe-se o retrato mais imediato do espaço urbano prudentino: a concentração de grandes contingentes de famílias e pessoas em situação de pobreza e exclusão (alta, média ou baixa) nos bairros e setores mais periféricos em relação ao centro ou aos subcentros urbanos.

Este padrão de localização e distribuição das situações de pobreza urbana e exclusão social é bastante comum no Brasil. Mas isto ainda é pouco. É importante e necessário ampliar e aprofundar as análises sobre os contrastes e a diversidade de carências e necessidades no interior do espaço urbano. As análises a respeito do acesso à riqueza socialmente gerada encontram-se na base desta ampla discussão das situações, graus, dimensões e qualidades da exclusão/inclusão social nas cidades brasileiras.

Na sua maior parte, a literatura sobre o tema tem ressaltado que a exclusão social se refere a um processo bastante complexo e com diferentes possibilidades de conceituação, tendo como características fundamentais o aspecto relacional (relação entre as variáveis e situações), a multidimensionalidade (as várias dimensões da exclusão/inclusão) e a dinamicidade (são processos dinâmicos em permanente reorganização).

Tais características permitem que uma enorme complexidade de situações seja abarcada pelo conceito de exclusão social, remetendo-se à discussão das novas feições da pobreza e da desigualdade em suas dimensões objetivas.

Os autores dessa parte do Atlas Ambiental Escolar de Presidente Prudente, reunidos no grupo de estudos e pesquisas CEMESPP tem pensado a exclusão social como um processo que envolve uma progressiva perda de autonomia e de sentimento de valor, com repercussões profundas na capacidade de tomada de decisão sobre rumos da própria vida por parte dos sujeitos ou das famílias sob tal processo.

Em função desta complexidade, torna-se evidente a limitação da representação cartográfica dos excluídos com base apenas na localização espacial nas áreas urbanas. Por sua vez, no momento atual, é perceptível o descolamento e o distanciamento entre os poderes de comando que encontram-se cada vez mais centralizados em instâncias superiores e distantes de cada realidade local, reforçando a ideia de que os processos geradores da exclusão social nas cidades brasileiras são aqueles decorrentes da perda crescente de poder decisório do nível local. Então, é possível afirmar que quanto mais se encontra dissociada a escala da ação do nível do comando e controle, maior o grau de exclusão social. Em função disto, a exclusão social seria um processo muito mais relacionado com a perda de identidade com o lugar do que um fenômeno passível de delimitação territorial.

Cabe compreender assim, quais são os obstáculos existentes para que o local de vivência das pessoas seja, de fato, o lugar da ação e da possibilidade de engajamento na ação, já que o desenvolvimento de políticas de inclusão social pressupõe o engajamento efetivo daqueles que vivem na cidade no processo de tomada de decisão dos rumos de suas próprias vidas.

Decorre, portanto, que os diferentes níveis de ação do indivíduo podem também criar diferentes graus de exclusão social no espaço urbano, impedindo uma explicação única dos percursos das pessoas ou famílias a partir de condições semelhantes.

A origem pobre, o percurso escolar de insucesso e abandono, a elevada mobilidade do emprego por profissões sem qualificação ou pouco qualificadas, a elevada mobilidade residencial, a exposição maior ou menor às diferentes formas de violência por exemplo, impedem o desenvolvimento de um processo no qual os indivíduos possam ter um controle maior de suas próprias vidas.

Nos níveis individual e familiar, este processo reflete uma ausência de ganhos de conhecimento e controle sobre as forças sociais, econômicas e políticas para agir na direção da melhoria de suas próprias situações de vida.

O conhecimento desta realidade, ao permitir uma reflexão crítica e compartilhada, possibilita ainda, a elaboração, implementação e avaliação de políticas públicas que enfrentem tais situações e empoderem os sujeitos sociais rumo à transformação da realidade. É neste sentido que o conjunto de mapas a seguir foi elaborado. Ele permite uma rápida aproximação à complexa situação da realidade da cidade de Presidente Prudente sob a ótica das desigualdades socioespaciais e da exclusão social.

INDICADORES DEMOGRÁFICOS E SOCIAIS E SUA REPRESENTAÇÃO CARTOGRÁFICA NA DIMENSÃO INTRAURBANA

Mapear e entender como as populações se distribuem (e se movem) pelos territórios são ações importantes e necessárias na avaliação das condições nas quais as populações sobrevivem. Reconhecer os lugares de maior dispersão ou maior concentração, suas causas e as modificações que ocorrem com as densidades populacionais nos tecidos urbanos ao longo do tempo, podem ajudar a gestão e o planejamento urbanos na tomada de decisões, tal como definir a localização de equipamentos e serviços públicos, por exemplo.

Assim, os indicadores que revelam as áreas da cidade onde é mais exígua ou densa essa relação entre habitantes/moradores–território urbano, têm, portanto, significativa validade na medida em que podem associar valores de variáveis diversas (habitantes por domicilio; segmentos populacionais por domicilio; razão de dependência, entre outras) às áreas efetivamente ocupadas.

Os dois primeiros mapas (Figura 1) mostram as médias de habitantes-residentes em domicílios particulares (permanentes e improvisados) por Setor Censitário Urbano em dois momentos. Os dados são da base de informações censitárias do IBGE (2000 e 2010). Os resultados são obtidos através da razão entre os totais de habitantes-residentes e os totais de domicílios particulares por Setor Censitário Urbano.

Estes mapas (Figura 1) permitem identificar a densidade habitacional/domiciliar média por setor censitário. Os resultados individuais setoriais foram agregados em intervalos de valores (ver legendas). Em ambos os momentos, a distribuição dos intervalos de valores deste indicador sobre a malha urbana mostra uma clara assimetria entre os setores da área central da cidade (menores valores) e os setores das áreas Norte, Noroeste, Leste (maiores valores), bem como da área Oeste no primeiro mapa (2000). Isto está igualmente bem demonstrado no mapa da Figura 2, Densidade Demográfica (2010), cujos valores são calculados pela razão entre os totais de habitantes por setor e a área em km² de cada setor.

Figura 1 - Presidente Prudente. Habitantes por domicílio (2000 e 2010)

Figura 2 - Presidente Prudente. Densidade de área construída (2016) e densidade demográfica - centróides (2010)

Na área central de Presidente Prudente (centro principal), assim como em grande parte das cidades brasileiras, os estabelecimentos comerciais e de serviços, ocupam parte significativa da área construída em relação às moradias. Essa “concorrência”, associada ao preço do solo urbano e aos custos de se implantar e de se construir unidades habitacionais no centro, bem como o envelhecimento da população residente, levam a uma queda progressiva das densidades (habitacional-domiciliar e demográfica) da área central da cidade. Este fato é claramente observável quando se comparam, na Figura 2, os resultados do Mapa da Densidade de Área Construída com o Mapa da Densidade Demográfica (habitantes por km²).

Alguns aspectos importantes devem ser pontuados, a partir da observação destes indicadores em relação ao processo de expansão da malha urbana prudentina no período medido. Primeiro, houve um crescimento de cerca de 26% no número de setores censitários urbanos no período 2000-2010, em razão do desmembramento de setores já existentes (resultantes da expansão urbana, novos loteamentos, mobilidade da população para novas áreas, ampliação da superfície construída etc.).

Em razão disto, observa-se nos mapas da Figura 1, um aumento significativo do número de setores nos intervalos de média densidade habitacional/domiciliar e diminuição do número de setores no intervalo de maior densidade em 2010, quando comparados à 2000. Também pode ser observado que em setores que abrangem áreas de expansão recente (áreas Norte e Noroeste), sejam elas predominantemente de maior ou de menor padrão habitacional, há a ocorrência de intervalos de valores de alta e média densidade demográfica e habitacional/domiciliar.

Os mapas (Figura 3) permitem um olhar de conjunto sobre o espaço urbano prudentino a partir de uma dada situação de vulnerabilidade social (ver o tópico Diversidade, Desigualdades, Exclusão e Inclusão Social no Tecido Urbano de Presidente Prudente desta seção do Atlas).

Figura 3. Presidente Prudente. Chefes de Família de 10 a 19 anos (2000 e 2010)

O indicador mapeado nos dois momentos (2000 e 2010), diz respeito aos percentuais de chefes de família de até 19 anos sobre o total de chefes de família por Setor Censitário Urbano. Quando se está diante de famílias cujo principal responsável econômico são jovens de até 19 anos (sejam homens ou mulheres), certamente muitas hipóteses são possíveis, mas a grande maioria dirá respeito a algum tipo de fragilidade ou vulnerabilidade familiar/domiciliar.

Salvo raras exceções, a grande maioria dos casos diz respeito: às famílias em que os membros mais velhos não estão presentes para responder pela renda familiar (morte, abandono, afastamento por decisão judicial, cumprimento de pena, por exemplo); às famílias em que os membros mais velhos se encontram em situação de grande precariedade e limitação que os impede de responder pela renda familiar (situações crônicas de saúde; deficiências; dependências químicas etc.); ou ainda, famílias compostas por casais (com ou sem filhos) ou arranjos familiares monoparentais muito jovens.

Em todos esses casos, está-se diante de situações que, na sua quase totalidade, somam positivamente para uma definição de quadro ou de contexto de exclusão social.

A principal observação a ser feita dos mapas da Figura 3, mostra que entre 2000 e 2010 cai bastante o número de setores censitários com a presença de pelo menos uma família chefiada por menor de 19 anos (234 setores em 2000, para 179 setores em 2010). A distribuição também se altera, revelando em 2010, três setores censitários com incidências mais altas, com destaque para um setor que registra quase 7% das famílias chefiadas por jovens de até 19 anos em relação ao total de famílias do respectivo setor censitário (área Norte da cidade, parte do Bairro Residencial Jardim Humberto Salvador).

A RENDA E SUA REPRESENTAÇÃO CARTOGRÁFICA NA DIMENSÃO INTRAURBANA

Os chefes de família sem rendimentos constituem um indicador crucial para a análise das desigualdades em uma cidade. Como como pode ser depreendido dos mapas da Prancha 4 quanto mais fortes as cores representadas, maior a presença deste indicador em cada setor. Por um lado, ao comparar os mapas de 2000 e 2010, da Figura 4, observa-se que o número de setores em que tal indicador é zero aumentou bastante, indicando que nesta década o crescimento do emprego, do número de trabalhadores com carteira assinada, o aumento do salário mínimo e também a ampliação e extensão de programas sociais como o Bolsa Família e os Benefícios de Prestação Continuada (BPC) produziram efeitos positivos na cidade.

Figura 4 - Presidente Prudente. Chefes de Família sem Rendimento (2000 e 2010)

Por outro lado, observa-se também a persistência de alguns setores que concentram estes chefes de família nos dois momentos. Mesmo sendo reduzidos quantitativamente, os setores encontram-se situados na Zona Leste, Norte e, pontualmente, a Oeste da área central. São áreas que historicamente tem cumprido o papel de abrigar populações mais pobres e que comprovam a necessidade de intervenções mais amplas e diretas do poder público para a superação de tais situações.

Os chefes de domicílios com rendimentos de até 2 salários mínimos (Figura 5), representados em geral por pessoas e famílias onde ocorre baixa escolaridade, dificuldades de inserção no mercado de trabalho e precariedade de atividades produtivas apresenta-se espacialmente em um padrão que se repete nos anos de 2000 e 2010, mesmo reconhecendo tratar-se de uma década positiva na ampliação do emprego e da renda para amplos segmentos sociais. Porém, o que há de ser observado aqui é a permanência do “arco de localização” formado entre as zonas leste, norte e oeste e a quase inexistência de sua presença na porção sul da área urbana, que é dominada pelos segmentos sociais de mais altas rendas.

Figura 5 - Presidente Prudente. Chefes de Família com renda de até 2 salários mínimos (2000 e 2010)

O reconhecimento de tal situação implica, ao mesmo tempo, uma tomada de posição crítica a respeito da cidade e a clara percepção das desigualdades que nela imperam, mas também a respeito dos desafios colocados à construção de um ideal de justiça espacial que reduza tais desigualdades.

Os mapas dos chefes de domicílios que auferem rendas acima de 20 salários mínimos (Figura 6) é o retrato invertido dos mapas anteriores. A concentração deste indicador, em ambos os anos, nos setores localizados na área central e ao sul denotam não apenas a clara preferência de localização residencial dos setores de mais altas rendas por estas áreas.

Figura 6. Presidente Prudente. Chefes de Família com renda superior a 20 salários mínimos (2000 e 2010)

Tal concentração indica um processo, construído ao longo do tempo, de seletividade espacial que reforça o padrão socioespacial de desigualdades marcado na paisagem pela melhor qualidade das residências, a presença de loteamentos/condomínios fechados, a verticalização de alto padrão e os investimentos públicos em serviços e equipamentos urbanos que a reforçam. Notável, ainda, que entre o ano de 2000 e 2010 observa-se uma redução dos setores em que a presença de segmentos sociais de mais alta renda se fazem presentes com maior intensidade, indicando que sua concentração espacial aumentou ao longo do tempo.

A ESCOLARIDADE E SUA REPRESENTAÇÃO CARTOGRÁFICA NA DIMENSÃO INTRAURBANA

A alfabetização na idade adequada e o acesso à escolaridade para crianças e jovens, apesar de serem garantidos constitucionalmente, ainda não é uma realidade universal. Os mapas de analfabetos de 10 a 14 anos (Figura 7) mostram que, apesar da queda dos números de crianças e jovens analfabetos entre os anos de 2000 e 2010, eles se concentram persistentemente em alguns setores situados em certas periferias urbanas que coincidem com as de outros indicadores de desigualdades, como os de rendimentos de chefes de família. Sua permanência, quase nos mesmos setores, indica o esforço que ainda deve ser realizado para seu enfrentamento, focalizando as ações de busca ativa destas crianças e jovens, fazendo-os ingressar ou retornar à escola.

Figura 7 - Presidente Prudente. Analfabetos de 10 a 14 anos (2000 e 2010)

Mesmo com a mudança de procedimentos metodológicos realizada entre os Censos do IBGE de 2000 e 2010 para a captura do indicador de baixa escolaridade, ou seja, chefes de domicílios que apresentam apenas e tão somente até 4 anos de escolaridade, é possível ao comparar este indicador com o de chefes de famílias analfabetos em 2010 que o padrão espacial se repete: a presença maior destes dois indicadores concentra-se em certas áreas da cidade (a Leste, Oeste e Norte), formando um arco bem delimitado, com a quase inexistência de chefes de família nesta situação nos setores centrais e ao sul da mancha urbana (Figura 8).

Figura 8. Presidente Prudente. Chefes de família analfabetos (2000) e chefes de família com baixa escolaridade (2010)

Mais uma vez a correlação aparece entre este e os mapas anteriores, o que possibilita afirmar que as desigualdades se acumulam e se sobrepõem, articulando-se em padrão socioespacial de desigualdades bem definido, que praticamente impõe e estabelece os acessos e as possibilidades de cada segmento socioeconômico a bens e serviços básicos no tecido da cidade, tal como a escolaridade e tudo o que o acesso à escola e o aumento dos anos de estudo podem trazer ao ser humano em termos de conhecimentos, valores e fruição cultural.

PRESIDENTE PRUDENTE: EXCLUSÃO/INCLUSÃO SOCIAL (SÍNTESE)

A Figura 9 reúne e articula os vários indicadores demográfico-sociais, de renda, escolaridade e outros. Sintetiza, para os anos de 2000 e 2010, o retrato das desigualdades socioespaciais de Presidente Prudente, classificando e indicando os setores com os melhores e piores agregados de indicadores da cidade.

Figura 9 - Presidente Prudente. Exclusão/Inclusão Social (Síntese) (2000 e 2010)

A síntese revela que a inclusão e a exclusão social são distribuídas espacialmente de maneira a conformar uma cidade dividida espacialmente: um conjunto de setores ao centro e ao Sul com os melhores indicadores e o arco Leste, Norte e Oeste com os piores. Tal divisão, persistente no tempo, indicaria também o caminho crítico a ser seguido paulatinamente rumo a uma cidade menos desigual no que se refere aos investimentos nos serviços e equipamentos públicos. Este olhar sobre a cidade mobiliza as esferas da sociedade que colocam a justiça e a igualdade de acessos como valores fundamentais da vida urbana.

PRESIDENTE PRUDENTE: REDES DE SERVIÇOS PÚBLICOS MUNICIPAIS

A seguir, estão representados, em mapas (Figuras 10, 11 e 12), a distribuição de alguns serviços públicos municipais que podem nos ajudar a pensar soluções e caminhos para se superar as desigualdades socioespaciais de Presidente Prudente.

Figura 1. Presidente Prudente. Rede Municipal dos Serviços de Educação.

Figura 2. Presidente Prudente. Rede Municipal dos Serviços de Saúde

Figura 3. Presidente Prudente. Rede Municipal dos Serviços de Assistência Social

Para maiores informações sobre os processos de exclusão/inclusão social urbana, do sistema de informação geográfica e das políticas públicas, acesse o link do GRUPO DE PESQUISA Centro de Estudos e Mapeamento da Exclusão Social para Políticas Públicas - CEMESPP